Tenho a certeza de que não sou de esquerda há quase vinte anos. A ensaboadela ideológica que levei na Faculdade contribuiu para concluir que as minhas convicções progressistas tinham de ficar na adolescência mesmo. Como é previsível na imaturidade, passei de um extremo para o outro. Sobretudo na alvorada dos blogues, aí por volta de 2002, achei-me a sair do armário ideológico e pensei que o oxigénio mais limpo que tinha para respirar era ser de direita.
Preocupa-me hoje, em tempos de bipolaridades políticas, que tantos cristãos se afirmem de direita. Se, de facto, estou absolutamente convicto de que a esquerda e a fé em Cristo não combinam, isso não significa que o lar do seguidor de Jesus é a direita. Céus. É abrir a Bíblia e ver que Jesus era odiado por todo o tipo de pessoas, da esquerda à direita (se tivermos a flexibilidade de usar estes termos historicamente posteriores a circunstâncias anteriores). Uma coisa é os cristãos que acreditam na verdade de as Escrituras serem mesmo a revelação de Deus serem apelidados por muitos como “conservadores”, “fundamentalistas”, “reaccionários”, ou outra palavra qualquer - esse é um problema de quem nos apelida, não nosso. Mas não é pelo facto de nos atirarem palavras que vamos encontrar casa nelas.
Não sou de esquerda nem de direita porque essas são palavras que não exprimem a fé que tenho em Jesus. Cristo perdoou o homem de esquerda que dentro de mim odeia a moral, e Cristo perdoou o homem de direita que dentro de mim idolatra a moral. Já me dei mal a tentar ser bom em qualquer dos lados. Sou cristão e pronto.
Notes
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